Á sua principal arma de guerra chamavam ita-ca-apem, espada de páu-pedra; ou ita-qui-apem, machado comprido de pedra, por ter sido dessa materia que primeiro o fabricaram, antes de aprenderem a lavrar a madeira.
Ácerca da força dessa arma e da destreza com que a manejavam, diz Lery que um tupinambá com ella armado daria que fazer a dois soldados de espada.
Guerreiro chefe.—Para compreender-se bem a força dessa dezignação, diremos alguma coiza ácerca da hierarquia selvajem.
Como a relijião, era simples o governo dos tupís; mas não careciam delle, segundo inculcam os cronistas: antes o tinham, e bem regulado para o seu estado de civilização.
Podemos distinguir na taba selvajem uma sociedade civil e uma sociedade politica; a primeira reduzida á familia, e a segunda excluziva á subzistencia, defeza e guerra.
A sociedade civil era constituida pela oca, a caza, onde o varão, aba, morava com suas mulheres, sua prole, os servos que trabalhavam para granjear as filhas em cazamento, os cativos que fazia na guerra, e os parentes que agregava a si.
O dono da caza, ou literalmente o que fazia a caza, moacara, era a perfeita imajem do patriarca. Elle governava a sua gente; e formava uma sociedade independente, no seio da grande sociedade politica, de que era membro e para cuja defeza concorria não só por interesse proprio, mas pela honra da nação.
Moacara nos dicionarios significa fidalgo. A tradução resente-se da preocupação do homem civilizado; mas havia realmente uma distinção entre o moacara, chefe da oca, pai de muitos guerreiros, e o simples individuo que ainda não possuia uma familia.
A sociedade politica, taba, era a reunião das ocas. Essa denominação vem de tama, a patria, o berço, a terra natal, e aba dezinencia que indica o logar, modo, instrumento da coiza. Assim, taba significa literalmente onde ou o que faz a patria, isto é, aldeia natal.