É uma prova do carater leal dos selvajens. Foi depois da colonização, que os portuguezes, assaltando-os como a feras, e caçando-os a dente de cão, ensinaram-lhes a traição que elles não conheciam.
Pojucan.—Contração de uma fraze tupica.I-pojuca;—significa: eu mato gente. Essas contrações não são arbitrarias; ellas eram da indole da lingua e conformes ao seu sistema de aglutinação. Todas as vezes que os indijenas compunham uma palavra, cerceavam as sílabas dos vocabulos que entravam na compozição, para ligal-as mais eufonicamente.
Lemos em Alfred Maury La Terre et l'homme, cap. VIII, o seguinte trecho:
«Nas linguas americanas, não é sómente uma sinteze que concentra em uma palavra todos os elementos da idéa mais complexa; ha ainda engrazamento (enchevêtrement) das palavras umas nas outras; é o que M. F. Lieber chama incapsulação, comparando a maneira por que as palavras entram na fraze a uma caixa na qual se conteria outra que a seu turno conteria terceira, esta uma quarta, e assim por diante. A incorporação das palavras é por vezes levada á extrema exajeração nesses idiomas, o que produz a mutilação dos vocabulos incorporados.»
Esta observação é da maior justeza e conforma-se de todo o ponto com a indole da lingua, como se vê nas seguintes palavras—A-por-u—como gente—A-poro-tim—enterro gente—A-po-çub—vizito a gente. (Vide Figueira, Gramatica da lingua do Brazil, paj. 51.)
Tapuia.—de taba e puir, o que foje das tabas. Davam os indijenas esse nome a povos mais barbaros e de lingua diversa. Segundo as ultimas investigações etnolojicas, pertenciam esses povos a uma raça diversa da tupí, e muito aproximada, senão conjenere do tipo mongolico. Entretanto Orbigny, L'Homme Américain, sustenta a identidade das duas raças, tapuia e tupí.
Tacape.—Davam os tupís o nome de apem, a um corpo alongado de fórma analoga á espada, e como ella cortante. Daí vinha chamarem a unha—po-apem, espada do dedo; e á raiz que surje da terra e se eleva como um galho—sapopema—raiz espada.