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Ubiratan.—Páu-ferro; literalmente ubira—madeira, e atan—duro. Atan não é senão a palavra ita com a terminação ana, que na lingua tupí servia para a formação dos adjetivos. Itana, o que tem a natureza de pedra. Assim, de pedra fizemos nós pedregozo. Rigorozamente ubiratan é páu-pedra; pois que os indijenas não conheciam o ferro. Era dessa madeira que faziam os tacapes.

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O chefe tocantim.—Os autores empregam em geral os termos maioral, principal, para dezignar o cabeça de uma tribu ou nação indijena. Alguns, como Southey, serviram-se do termo cacique adotado dos Araucanos; Barlœus chamou-os classicamente de reis.

Neste livro, como em Iracema, preferi traduzir o termo indijena tuxaba, por chefe; e fui levado pela razão de ser, além de muito apropriado e vulgar, um termo nobre e sucetivel de entrar no estílo o mais elevado, sem laivos de afetação. Ao morubixaba pela mesma razão chamei chefe dos chefes.

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Calcou a mão sobre o hombro esquerdo.—Ácerca desse modo simbolico de assegurar o vencedor seu imperio sobre o cativo, é curiozo o que referiu e notou Ives d'Evreux, cap. XIV.

«Então eu soube que era uma ceremonia de guerra praticada entre essas nações, que quando um prizioneiro cae na mão de algum, aquelle que o toma, bate-lhe com a mão na espadua dizendo-lhe: «Eu te faço meu escravo»; e desde então esse pobre cativo, por maior que seja entre os seus, se reconhece escravo e vencido, segue o vitoriozo, o serve fielmente, sem que seu senhor se importe com elle; tem liberdade de andar por onde lhe pareça, não faz senão o que quer e ordinariamente espóza a filha ou irmã de seu senhor, até o dia em que deve ser, morto e comido.»

Depois o missionario lembra as palavras de Isaías cap. 9—Factus est principatus super humerum ejus—e cap. XXII—Dabo clavem dominis David super humerum ejus; e mostra a conformidade desse rito dos tupís com as tradições dos hebreus e outros povos primitivos.

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