Ubirajara—senhor da lança, de ubira—vara e jara—senhor; aportuguezando o sentido, vem a ser lanceíro.
Com este nome existia ao tempo do descobrimento, nas cabeceiras do rio S. Francisco uma nação de que fala Gabriel Soares—Roteiro do Brazil, cap. 182.
«A peleja dos Ubirajaras, diz esse escritor, é a mais notavel do mundo, como fica dito, porque a fazem com uns páus tostados muito agudos, de comprimento de tres palmos pouco mais ou menos cada um, e tão agudos, de ambas as pontas, com os quais atiram a seus contrarios como com punhais, e são tão certos com elles que não erram tiro, com o que têm grande chegada; e desta maneira matam tambem a caça que, se lhe espera o tiro, não lhe escapa; os quais com estas armas se defendem de seus contrarios tão valorozamente como seus vizinhos com arcos e flexas, etc.»
Desta arma e da destreza com que a manejavam proveiu o nome de bilreiros que lhe deram os sertanistas, significando assim que tanjiam suas lanças com ajilidade e sutileza igual á da rendeira ao trocar os bilros.
Preciza de um prizioneiro.—Era entre os selvajens maior honra conduzir da guerra um prizioneiro, para ornar o seu triunfo e a festa de vitoria, do que matal-o em combate. Veja Gabriel Soares—cit. na nota 4a.
Chamas de alegria.—Metafora tupí. Chamavam a alegria e a festa toríba, literalmente, grande quantidade de fogueiras.
Historia de guerra.—Os tupís para exprimirem historia, ou narrativa, diziam maranduba, conto de guerra, de mara—guerra—nheng—falar e tuba—muito; falar muito de guerra.