Depois aplicaram os indijenas essa palavra a toda narrativa, se é que não crearam para as outras historias o termo analogo de poranduba, composto de poro, nheng, e tuba—falar muito da gente.

Os indios eram muito apaixonados dessas narrações, em que mostravam sua natural eloquencia. Informa-me o Dr. Coutinho, incansavel explorador do vale do Amazonas, que ainda hoje nenhum indio chega de viajem, que não diga a sua maranduba, que é o recito circumstanciado de quanto viu e lhe aconteceu em caminho.

Ás vezes traduzo o termo; outras o emprego orijinal para mais incutir no livro o espirito indijena. Do mesmo modo procedi ácerca de outros termos eufonicos tais como tuxaba, moribixaba, moacara, nhengaçara, etc.

[Paj. 21]

Os cantores.—Os tupís eram muito dados á muzica e á dansa.

Lery fala com entuziasmo da doçura de seus cantos; e Ferdinand Denis, paj. 21, afirma, não sei com que fundamento, que a imitação dos Chataws da America do Norte, certas nações do Brazil gozavam do privilejio de fornecer poetas e musicos aos outros povos, como sucedia com os tamoios entre os tupís.

Gabriel Soares—cap. 162—descreve os cantos, improvizos e dansas dos tupinambás, concluindo com estas palavras:

«Entre este gentio, os muzicos são muito estimados e por onde quer que vão, são bem agazalhados e muitos atravessaram já o sertão por entre seus contrarios, sem lhes fazerem mal.»

[Paj. 24]