Mulheres guerreiras.—Aluzão ás Amazonas cuja existencia é tão controvertida. Eu acredito na sua existencia, embora reconheça que houve exajeração de Orellana.

Não é este o momento de elucidar este ponto da historia, ou antes mitolojia do Brazil selvajem. Proponho-me a fazel-o quando publicar uma lenda que tenho esboçada ácerca do assunto. Nessa ocazião direi o que entendo ácerca da memoria do Dr. Gonçalves Dias, publicada na Revista do Instituto.

[Paj. 46]

Senhoras de seu corpo.—Metafora tupí. No varão a parte nobre era o sangue; pelo que elle dizia do filho—taíra, o filho do meu sangue; e para indicar a independencia diziam taíguara, que os dicionarios traduzem livre, mas que literalmente significa, senhor do seu sangue.

A mulher que dizia do filho membira—o gerado de meu ventre, devia pela mesma razão uzar de expressão analoga para exprimir sua liberdade, e dizer membijara—senhora de seu ventre, que eu por elegancia traduzo menos literalmente, senhora de seu corpo.

[Paj. 47]

Pará sem fim.—Par, diz Humboldt cit. paj. 285, é uma radical guaraní e exprime agua. Pará creio eu que significou a grande abundancia de agua, e foi primitivamente empregado para dezignar os lagos e por ventura as vastas inundações do vale do Amazonas. Mais tarde os selvajens acrecentaram-lhe o verbo nhane correr, e disseram pará-nhanhe—donde paranãn para dezignar as grandes massas de agua corrente, isto é, os rios caudalozos.

Os dois maiores rios da America do Sul, o Amazonas e o Prata, ambos se chamavam Paranãn, assim como outros muitos do Brazil. O mesmo radical se encontra já composto em Paraíba, Parnaíba, Paranapanema, etc.

Foi a substituição do p pela analoga m que produziu o nome de Maranhão, ácerca de cuja etimolojia se inventaram tantas extravagancias.