[Paj. 48]

Guerreiros do mar.—Tradução da palavra tupí caramurú com que os tupinambás da Baía dezignaram Diogo Alvares Correia.

Caramurú é composto de cara, alteração de Pará—mar e moro, gente; homem do mar. Os selvajens acreditavam que as aguas eram habitadas, e daí naceu a lenda da mãi d'agua, que se transmitiu á raça invazora. Nada mais natural do que chamarem ao primeiro homem branco, que lhe apareceu surjindo do oceano, Caramurú—o guerreiro do mar.

[Paj. 48]

Rezina cheiroza.—É o ambar, que os tupís chamavam Piraoçurepoti, e de que ao tempo do descobrimento abundavam as ribeiras do mar, nas provincias do norte.

[Paj. 49]

Moças.—É dificil, senão impossivel, determinar atualmente, e pelas informações tão falhas quão malignas dos cronistas, a condição da mulher entre os selvajens.

Do que tenho lido coliji as idéas, a que no texto se alude mui lijeiramente, e a que em outro logar démos maior dezenvolvimento.

[Paj. 51]

Para servir a Itaquê.—«E quando o principal não é o maior da aldeia dos indios das outras cazas, o que tem mais filhas é o mais rico e estimado e mais honrado de todos, porque são as filhas mui requestadas dos mancebos que as namoram; os quais servem os pais das damas dois e tres anos primeiro que lh'as deem por mulheres e não as dão senão aos que melhor os servem, a quem os namoradores fazem a roça e vão pescar e caçar para os sogros que dezejam de ter, e lhes trazem a lenha do mato, etc.» G. Soares, cit. cap. 152.