Ficaram Jandira e Pojucan em face um do outro.
—Virjem dos araguaias, Tupan te rezervou para espoza do mais terrivel dos inimigos de tua nação. O filho de seu sangue será o mais valente dos guerreiros; tu sentirás orgulho por havel-o gerado em teu seio.
—Pojucan, chefe tocantim, Jandira nunca será tua espoza.
—Não é Ubirajara o chefe de tua nação, e não te destinou elle para servir de noiva do tumulo ao guerreiro que vai morrer no suplicio?
—Ubirajara é o grande chefe da nação araguaia; á sua voz cala-se a palavra dos anciãos; a seu gesto curva-se a fronte dos guerreiros; á sua vontade obedecem as tabas. Mas no amor de Jandira, ninguem manda, nem Tupan. Jandira é noiva de Ubirajara, e se elle não quizer aceital-a, o guanumbí a levará para os campos alegres onde repouzam as virjens que morreram.
—Pojucan não carece do amor de Jandira. Nas tabas dos tocantins a mais bela das virjens se regozijaria de pertencer ao mais valente dos chefes, e de habitar sua rêde. Nas tabas dos araguaias, onde nacem guerreiros como Ubirajara, não faltarão virjens formozas, que dezejem a gloria de ser mãi de um filho de Pojucan.
—Jandira seria a primeira, se não conhecesse Jaguarê, o mais belo dos jovens caçadores, que é hoje Ubirajara, o senhor da lança e chefe dos chefes. Pojucan merece uma espoza que nunca tenha ouvido o canto de outro guerreiro, para dar-lhe um filho digno delle.
—Os ritos de tua nação não punem a noiva que rejeita o prizioneiro?
—Jandira sabe que se sujeita á morte; mas a morte é menos cruel do que o abandono.
—Então foje, virjem dos araguaias, e esconde-te á cólera dos anciãos. Talvez mais tarde Ubirajara se arrependa e te perdôe.