«O hospede é mensajeiro de Tupan. O primeiro que apareceu na taba dos avós da nação tocantim, foi Sumê, que veiu de onde a terra começa e caminhou para onde a terra acaba.

«Delle aprenderam as nações a plantar a mandioca para fazer a farinha, e a tirar do cajú e do ananaz o generozo cauim, que alegra o coração do guerreiro.

«O hospede é mensajeiro de Tupan. Quando o estranjeiro entra na cabana, o guerreiro que tem a fortuna de o acolher, não sabe se elle é um chefe ilustre ou o grande Sumê que volta de sua viajem.

«O sabio ensina por onde passa os segredos da paz, e o heróe as façanhas da guerra; mas ambos deixam na cabana da hospitalidade a gloria de ter abrigado um grande varão.

«O hospede é mensajeiro de Tupan. Por seu caminho vai deixando a abundancia e a festa; depois do banquete da boa vinda as arvores vergam com os frutos, e a caça não cabe na floresta.

«A cabana que fecha a porta ao hospede, o vento a arranca, o fogo do céu a abraza. O guerreiro que não se alegra com a chegada do hospede, vê murchar ao redor de si a espoza, os filhos, as mulheres e as roças que elle plantou.

«Bem vindo seja o estranjeiro na cabana de Itaquê, o grande chefe da nação tocantim, que teve a gloria de ser escolhido pelo hospede.

«Os guerreiros exultam com a honra de seu chefe, e os cantores te saudam, mensajeiro de Tupan.»

Emquanto na cabana resôa o canto da boa vinda, Jacamim, a espoza de Itaquê, chamou as amantes do marido, suas servas, para ajudal-a a preparar o banquete da hospitalidade.