«Elle viu o grande rio combater com o mar, no tempo da pororoca. Os dois chefes tocam as inubias antes da peleja, para chamar seus guerreiros.

«Vem de um lado as aguas do mar, são os guerreiros azues, com penachos de araruna; vem do outro as aguas do rio, são os guerreiros vermelhos com penachos de nambú.

«Começa a batalha. Os guerreiros se enrolam, como a corrente da cachoeira, batendo no rochedo; a terra estremece com o trovão das aguas.

«Mas o grande rio agarra o mar pela cintura. Arranca do chão o inimigo; carrega-o nos hombros; solta o grito de triunfo.

«Por muito tempo os Tetivas, que habitam sobre as arvores, vêem passar correndo as aguas do mar; são os guerreiros azues que fojem espavoridos e vão esconder-se na sombra das florestas.

«Jurandir tambem viu a terra onde habitam as mulheres guerreiras, senhoras de seu corpo, que vivem em baixo das aguas do grande rio.

«Só ellas sabem o segredo das pedras verdes, que tornam os guerreiros cativos de seu amor, sem prival-as da liberdade.

«Por isso todas as luas, grande numero de guerreiros as vizitam em sua taba; e ellas guardam para os mais valentes a flôr de sua beleza.

«Quando chega o tempo de vir o fruto do amor, guardam sómente as filhas; e enviam aos guerreiros os filhos, de onde saem os maiores chefes.

«Feliz o guerreiro que acha uma terra valente e fecunda para a flôr de seu sangue. O filho será maior do que elle; e o neto maior do que o filho.