A sombra vai decendo da serra pelo vale e a tristeza cae da fronte sobre a face de Jaguarê.
O joven caçador empunha a lança de duas pontas, feita da roxa craúba, mais rija que o ferro.
Nenhum guerreiro brandiu jámais essa arma terrivel, que sua mão primeiro fabricou.
Lá estaca o joven caçador no meio da campina. Volvendo ao céu o olhar torvo e iracundo, solta ainda uma vez seu grito de guerra.
O bramido rolou pela amplidão da mata e foi morrer lonje nas cavernas da montanha.
Respondeu o ronco da sucurí na madre do rio e o urro do tigre escondido na furna; mas outro grito de guerra não acudiu ao dezafio do caçador.
Jaguarê arremessou a lança, que vibrou nos ares e foi cravar-se além no grosso tronco da emburana.
A copa frondoza ramalhou, como as palmas do coqueiro ao sopro do vento, e o tronco gemeu até á raiz.
O caçador repouza á sombra de sua lança.