—O braço de Jurandir fará cair assim a teus pés o guerreiro que ouze disputar ao seu amor a tua formozura, estrela do dia.
Nunca a abundancia reinára na cabana sempre farta do chefe dos tocantins, como depois que a ella chegára o estranjeiro.
Jurandir era o maior caçador das florestas, e o primeiro pescador dos rios. Seu olhar seguro penetrava na espessura das brenhas, como na profundeza das aguas.
Nada escapava á destreza de sua mão. Onde ella não chegava, iam as unhas de suas flechas certeiras, que rasgavam o seio da vitima, como as garras do jaguar.
O estranjeiro soubera de Arací qual era a caça que Itaquê preferia, e qual o peixe que elle achava mais saborozo. Desde então nunca o velho chefe sentiu a falta do manjar predileto.
Se não era a lua propria do peixe dezejado, Jurandir sabia onde o podia encontrar. Não tornava á cabana sem a provizão necessaria para a refeição do dia.
Depois da caça e da pesca, Jurandir trabalhava nas roças de Itaquê. Fazia no taboleiro os matumbos, para que Jacamim enterrasse as estacas da maniva e semeasse o feijão, o milho e o fumo.
Entre os filhos das florestas a plantação devia ser feita pela mão da mulher, que era mãi de muitos filhos; porque ella transmitia á terra sua fecundidade.
A semente que a mão da virjem depozitava no seio da terra dava flôr; mas da flôr não saía fruto. E se era um guerreiro que plantava, o aipim endurecia como o páu de arco.