Nas vazantes do rio, Jurandir capinava a terra coberta de relva e outras plantas, e só deixava crecer o arroz, o inhame e as bananeiras.

Quando o estranjeiro partia pela manhã, Arací o acompanhava de lonje pela floresta.

Sua vontade a levava após elle.

O costume da taba não consentia que a virjem dezejada pelos servos de seu amor, preferisse um guerreiro antes de saber se elle a obteria por espoza.

A filha de Itaquê não queria pertencer a outro guerreiro; mas lembrava-se que a virjem deve merecer o espozo por sua paciencia, assim como o guerreiro merece a espoza por sua constancia e fortaleza.

Então voltava ao terreiro: emquanto os outros guerreiros espreitavam sua vontade, ella tecia as franjas para a rêde do cazamento.

Sua mão sutil urdia com o alvo fio do crauatá a fina penujem escarlate. Os noivos cuidavam que era a do peito do tucano; mas ella sabia que era do peito da arára e que tinha as côres de seu guerreiro.

Quando o sol chegava ao cimo dos montes, ouvia-se o canto de Jurandir que voltava da caça. A virjem seguida pelos guerreiros ia ao encontro do estranjeiro.

Então deciam ao rio. Era a hora do banho. Arací cortava as ondas mais linda que a garça côr de roza; e os guerreiros a seguiam de perto, como um bando de galeirões.