No outro dia, ao romper da alvorada, logo depois do banho os guerreiros partiram para a caça e para a pesca. Só ficaram na cabana Jacamim e as mulheres de Itaquê.
Arací tomou o arco e entrou na floresta. A imajem do guerreiro amado fujia naquelle instante de seus olhos; elles buscaram entre as folhas o sinal de seus passos e não o descobriram.
Lembrou-se a virjem, que Jurandir gostava da polpa do guaranan adoçada com o mel da abelha, e colheu os frutos encarnados que pendiam dos ramos da trepadeira.
Nesse momento a arára cantou no olho do pirijá. Arací precizava de suas plumas vermelhas para o cocar que ella tecia em segredo.
Era o cocar do amor, com que dezejava ornar a cabeça de seu guerreiro senhor, no dia em que elle a conquistasse por espoza.
A virjem armou o arco e seguiu a arára rompendo a folhajem. Quando ia disparar a seta, ouviu ao lado um rumor dezuzado.
Jurandir estava perto della, e segurava o braço de uma mulher, que ainda tinha na mão a macana afiada.
Arací conheceu a virjem araguaia, pela faxa de algodão entretecida de penas que lhe apertava a curva da perna; e adivinhou que era Jandira, a noiva do guerreiro.
—Filha de Majé, tua mão quiz matar a virjem que Jurandir escolheu para espoza. Tu vais morrer.