«Assim é o guerreiro que não sabe sofrer, e derrama sua alma em lamentações.

«Nunca elle será pai de uma geração forte e glorioza, nem verá sua cabana povoar-se dos guerreiros de seu sangue.

«Se queres merecer a filha de Itaquê, mostra, Jurandir, que és varão ainda maior do que o famozo guerreiro que todos admiram.»

O grande pajé levantou o tampo do camucim, e descobriu uma abertura, bastante para caber o punho do mais robusto guerreiro.

Jurandir meteu a mão no vazo. O semblante sempre grave do guerreiro cobriu-se de um sorrizo doce como a luz da alvorada; e seus olhos, mais contentes que dois saís, pouzaram no rosto de Arací.

O camucim da constancia continha um formigueiro de saúvas, que o pajé havia fechado ali na ultima lua.

Açuladas pela fome de tantos dias, as formigas vorazes se prepararam para dilacerar a primeira vitima que lhes caísse nas garras.

A dentada da saúva, que anda solta no campo, dóe como uma braza; quando são muitas e com fome, queimam como a fogueira.

Todas as vistas se fitaram no semblante do guerreiro, para espreitar-lhe o minimo gesto de sofrimento.

Mas Jurandir sorria; e seus labios ternos soltaram o canto do amor. De propozito o guerreiro adoçou a voz, para não parecer que disfarçava o gemido com o rumor do grito guerreiro.