Assim cantou elle:

«A dôr é que fortalece o varão, assim como o fogo é que enrija o tronco da crauba, da qual o guerreiro fabríca o arco e o tacape.

«A jussara tem setas agudas: mas Arací, quando atravessa a floresta, colhe o côco de mel, embora a palmeira lhe espinhe a mão.

«O ferrão da saúva dóe mais do que o espinho da jussara; mas Jurandir acha o mel dos labios de Arací mais doce do que o côco da palmeira.

«Quando Jurandir era joven caçador, gostava de tirar a cotia da toca, embora o seu dente agudo lhe sarjasse a carne.

«O ferrão da saúva não dóe como o dente afiado; e Jurandir sabe que o pelo dourado da cotia, não é tão macio como o colo de Arací.

«Jurandir despreza a dôr. Seus olhos estão bebendo o sorrizo da virjem, mais suave que o leite do sapotí. Sua mão está sentindo o roçar dos cabelos da virjem formoza.»

Os anciãos deram sinal para concluir a prova da constancia; mas o guerreiro continuou seu canto de amor.

«A cumarí arde no labio do guerreiro; mas torna mais gostoza a carne do veado assada no moquem.