Era precizo que um delles morresse, para que o vencedor encostasse o tacape do combate, e désse repouzo á sua nação para reparar os estragos da guerra.

Quando os dois chefes se encontraram, os guerreiros de um e outro campo ficaram imoveis, contemplando o pavorozo combate.

Ubirajara, de lonje, apoiado em seu grande arco, admirava os dois guerreiros, e pensava qual não seria o seu orgulho em vencel-os a ambos.

Durára a peleja o espaço de uma sombra. Em torno dos chefes lastravam o chão os tacapes e escudos que se tinham espedaçado aos golpes de cada um.

Imoveis no mesmo logar, só ajitavam a cabeça e os braços, semelhantes a dois condores que, de garras prezas aos pincaros do rochedo, se dilaceram com o bico adunco.

Um rujido espantoso atroou pela campina, que estremeceu a batalha e rolou pelas profundezas da floresta.

Paan, a seta, era o ultimo filho de Canicran. Ainda corumim, pelejava ao lado do irmão, o guerreiro Creban, cujo hombro mal alcançava com o braço.

Elle tinha nos olhos a vista da gaivota, e nas setas de seu arco, feitas de espinhos de ouriço, a velocidade e a certeza do vôo do guanumbí.

Quando caçava na floresta, divertia-se em matar as motuças traspassando-as com suas flechas, que voavam mais rapidas e certeiras que as vespas venenozas.

Paan saltára sobre os hombros do guerreiro Creban para assistir ao combate. Admirando o valor de Canicran, teve orgulho e inveja do pai.