Itaquê desfechára tão formidavel golpe, que o tacape e escudo de Canicran se espedaçaram em suas mãos, deixando-o á mercê do inimigo.

O chefe tocantim arrojou-se, e já sua mão decia sobre a espadua do tapuia para fazel-o prizioneiro.

O arco de Paan sibilou duas vezes. Os olhos de Itaquê, os olhos do varão forte que nunca humedecera uma lagrima, choraram sangue.

As setas do corumim tinham vazado as pupilas do fero guerreiro cuja vista era raio. Assim a jandaia rôe o grelo do procero coqueiro.

Foi então que Itaquê soltou o rujido pavorozo que fez tremer a terra. Mas o grito de espanto sossobrou no peito dos guerreiros, e rompeu em um grito de horror.

Itaquê estendera os braços, hirtos como duas garras de condor.

A mão direita abarcou o penacho e a cabeleira de Canicran, a esquerda entrou pela boca do tapuia e travou-lhe o queixo.

Separaram-se os braços do guerreiro cégo, e a cabeça de Canicran abriu-se como um côco que se fende pelo meio.

Ajitando no ar o craneo sangrento como um maracá de guerra, Itaquê arrojou-se contra os inimigos, buscando a morte que lhe fujia.

Quando o sol entrou, não havia na campina a sombra de um tapuia.