Os cantores entoaram seu louvor; e o joven caçador teve a gloria de receber os aplauzos dos moacaras de sua nação, e de um chefe como Ubirajara.
Ao raiar da manhã, Murinhem foi á taba dos tocantins, acompanhado por vinte guerreiros que conduziam o corumim.
Quando chegou em frente á cabana do grande chefe, o cantor viu Itaquê no terreiro sentado em uma sapopema.
O guerreiro fitava os olhos no céu, onde o calor lhe dizia que estava o sol. Mas não encontrava a luz que para sempre o abandonára.
Então o velho guerreiro abaixava os olhos para terra, como se buscasse o logar do repouzo.
Quando soaram lonje os passos dos estranjeiros, o chefe alongou a fronte para ver pelo ouvido o que os olhos lhe recuzavam.
Murinhem chegou e disse:
—Ubirajara envia a Itaquê o resto da vingança. Este é Paan, o filho de Canicran. Elle te roubou a vista; mas não salvou o pai de tua mão terrivel. Faze do corumim tapuia um mancebo tocantim; e elle será a luz de teus olhos e caminhará na frente do grande chefe para abrir-lhe o caminho da guerra.
Paan avançou:
—O filho de Canicran jámais será escravo; naceu tapuia e tapuia morrerá, como o grande chefe que o gerou. Emquanto o ouriço viver nas florestas, elle roubará seus espinhos para furar os olhos dos tucanos.