Itaquê pouzou a palma da mão na cabeça do menino:

—O corumim que ama seu pai é filho de Itaquê. Tu és livre, Paan; vai caçar o ouriço. Quando fôres um guerreiro, acharás cem mancebos do sangue de Itaquê para castigarem tua audacia.

O chefe voltou-se para o cantor:

—Tupan tirou a luz dos olhos de Itaquê; mas aumentou a força de seu braço. Ubirajara terá para combatel-o um inimigo digno de seu valor.

Murinhem tornou ao chefe araguaia com esta resposta.


Quando partia o cantor, chegaram á cabana de Itaquê os abarés da nação tocantim.

Os anciãos sentaram-se em torno do guerreiro cégo; e bebendo a fumaça da sabedoria, formaram o carbeto.

Falou Guaribú:

—O grande arco da nação carece de uma mão robusta para brandir sua corda, e de um olho seguro para dirijir sua seta. Itaquê é o maior guerreiro das florestas; seu nome faz tremer aos mais valentes dos inimigos; seu braço fere como o raio. Mas a luz fujiu de seus olhos e elle não póde mais abrir o caminho da guerra.