O velho chefe ergueu-se com o passo trôpego. Alcançando o grande arco dos tocantins abraçou-se com elle e falou-lhe.

—Quando Itaquê te recebeu da mão do grande Javarí elle pensava que só a morte o separaria de ti, para transmitir-te a um guerreiro de seu sangue. Mas Itaquê ficou na terra, como um tronco levado pela corrente, que não sabe onde vai.

Um esguicho de sangue saltou dos buracos, onde o velho tivera os olhos. Era a lagrima que a desgraça lhe deixára.

Os abarés meditaram. Guaribú falou de novo:

—O grande arco da nação que tu recebeste do grande Javarí, teu pai, não te abandonará. Elle fica em tua mão invencivel; haverá outro arco na mão do mais valente guerreiro, que abrirá o caminho da guerra. Mas emquanto Itaquê viver, sua voz governará a nação que elle defendeu com seu braço.

O semblante do velho chefe cobriu-se de um sorrizo como o negro rochedo sobre o qual desliza um raio do luar.

—Pais da sabedoria, abarés, olhai aquelle jatobá que se levanta no meio da campina, e que eu só posso ver agora na sombra de minha alma.

«Elle tem muitas raizes que o sustentam nos ares; tem muitos galhos que o cercam e estendem ao lonje a sua rama. Mas o tronco é um só.

«As grossas raizes são os abarés que sustentam o chefe com o seu conselho. Os galhos fortes são os moacaras que cercam o chefe e geram a multidão de guerreiros mais numeroza que as folhas das arvores. O tronco é o chefe da nação; se elle se dividir, o jatobá não subirá ás nuvens nem terá forças para rezistir ao tufão.