Pelas duas da tarde appareceu uma cidade no cotovello formado por um grande rio. Era o rio Niger. A cidade, Tombuctú.

Se até então não tinham tido que visitar essa Méka africana senão os viajantes do Mundo Antigo, os Batuta, os Khazan, os Imbert, os Mungo-Park, os Adams, os Laing, os Caillé, os Barth, os Lenz, n’esse dia, graças aos acasos da mais singular aventura, dois americanos podiam falar d’ella de visu, de auditu e de olfactu, no seu regresso á America, se lá regressassem de facto.

De visu, porque o seu olhar poude chegar a todos os pontos d’aquelle triangulo de cinco a seis kilometros, formado pela cidade; de auditu, porque esse dia era um dia de grande mercado, e faziam uma algazarra espantosa; de olfactu, porque o nervo olfactivo não podia ser muito agradavelmente affectado pelos odores da praça de Yubu-Kamo, onde está o mercado de carne, perto do palacio dos antigos reis So-mais.

Em todo o caso o engenheiro entendeu não dever deixar ignorar ao presidente e ao secretario do Weldon-Institute que elles tinham a felicidade extrema de contemplar a Rainha do Sudão, agora em poder dos Tuaregs de Taganet.

—Meus senhores, Tombuctú! lhes disse no mesmo tom em que dois dias antes lhes dissera:

“A India, meus senhores!„

Depois continuou:

—Tombuctú, aos 18 graus de latitude norte, e 5°,56´ de longitude a oéste do meridiano de Paris, com uma costa de duzentos e quarenta e cinco metros acima do nivel médio do mar. Importante cidade de doze a trese mil habitantes, outr’ora illustrada pela arte e pela sciencia! Talvez quizessem fazer alto alli durante alguns dias?

Uma tal proposta não podia ser feita senão por ironia, pelo engenheiro.