—E então, estamos?...

—A quarenta e seis graus ao sul da ilha X, isto é, a uma distancia de duas mil e oitocentas milhas.

—Mais uma razão para concertarmos os nossos propulsores, respondeu o contramestre. N’aquelle trajecto podemos encontrar ventos contrarios, e, com o pouco que nos resta de provisões, é necessario alcançarmos a ilha X o mais depressa possivel.

—Sim, Tom, e espero pôr-me a caminho esta noite, mesmo que tenha de partir só com um helice, podendo concertar o outro no caminho.

—Master Robur, perguntou Tom Turner, e esses dois cavalheiros, e o creado?...

—Tom Turner, respondeu o engenheiro, serão elles para lastimar por se terem tornado colonos da ilha X?

Mas que ilha é essa ilha X? Uma ilha perdida na immensidade do Oceano Pacifico, entre o equador e o tropico de Cancer, uma ilha que justificava bem aquelle signal algebrico de que Robur fizera o seu nome. Emergia d’esse vasto mar das Marquezas, fora de todos os caminhos de communicação interoceanicos.

Era alli que Robur fundára a sua pequena colonia, alli que vinha repousar o Albatrós, quando estava cançado de voar; alli que fazia provisão de tudo que era necessario para as suas perpetuas viagens.

N’essa ilha X, Robur, que dispunha de grandes recursos, tinha podido estabelecer um estaleiro e construir perfeitamente a sua aeronave. Alli a podia concertar e mesmo fazer outra de novo. As suas officinas continham as materias, as substancias, as provisões de toda a especie, accumuladas para a manutenção de uns cincoenta habitantes, a população da ilha.

Quando Robur dobrou o cabo Horn, alguns dias antes, o seu intento era alcançar a ilha X, atravessando obliquamente o Pacifico. Mas o cyclone tinha apanhado o Albatrós no seu turbilhão. Depois d’elle, o furacão tinha-o levado para além das regiões austraes. Em summa, tinha sido trazido pouco mais ou menos á sua direcção primitiva, e, sem as avarias dos propulsores, o atrazo teria bem pouca importancia.