Muito bem, eram estes os argumentos.
Os incredulos tinham ainda o direito de duvidar. Mas esse direito, já não o tinham oito dias depois de ter chegado o telegramma. No dia 13 de julho, o vapor francez Normandia ancorava nas aguas de Hudson, e trazia a famosa caixa de rapé. O caminho de ferro de Nova-York expediu-a para Philadelphia pela grande velocidade.
Era de facto a caixa de rapé do presidente do Weldon-Institute. Jem Cip não teria feito mal se tomasse n’esse dia um alimento substancial, porque esteve para cahir desmaiado, quando reconheceu a caixa.
Quantas vezes elle tomára n’ella a sua pitada amigavel! E miss Doll e miss Matt reconheceram tambem a caixa, para a qual tinham olhado ás vezes com esperança de metter n’ella um dia os seus magros dedos de solteiras. Depois foi o pae d’ellas, foi William T. Forbes, Truk Milnor, Bat T. Fyn, e muitos outros do Weldon-Institute. Cem vezes elles a haviam visto abrir-se nas mãos do seu venerando presidente. Emfim, teve por si o testemunho de todos os amigos que Uncle Prudent contava n’aquella boa cidade de Philadelphia, cujo nome indica,—não é de mais repetil-o,—que os seus habitantes se amam como irmãos.
De modo que não era permittido conservar a sombra de uma duvida a esse respeito. Não só a caixa de tabaco do presidente, mas a lettra, que vinha sobre o documento, não permittiam aos incredulos abanar a cabeça. Começaram então as lamentações, mãos desesperadas se levantaram ao céo. Uncle Prudent e o seu collega, transportados n’um apparelho volante, sem que se pudesse sequer entrevêr um meio de os salvar!
A Companhia do Niagára Falls, de que Uncle Prudent era o maior accionista, teve de suspender os seus negocios. A Walton-Watch Company, procurou liquidar a sua officina de relogios, agora que perdera o seu director, Phil Evans.
Sim! foi um lucto geral e a palavra lucto não é exaggerada, porque, a não ser alguns cerebros esquentados, como se encontram mesmo nos Estados Unidos, ninguem esperava já tornar a vêr os dois respeitaveis cidadãos.
Comtudo, depois da sua passagem por sobre Paris, não se ouvia falar senão no Albatrós. Algumas horas mais tarde, fôra visto por sobre Roma, e disse. Não era isso para admirar, dada a velocidade com que a aeronave tinha atravessado a Europa de norte a sul, e o Mediterraneo de oéste a léste. Graças áquella velocidade, nenhum oculo a pudera alcançar, em qualquer ponto da trajectoria.
Em vão todos os observatorios puzeram a postos todo o seu pessoal, dia e noite; a machina de Robur tinha ido ou tão longe ou tão alto, na Icaria, como elle dizia, que não havia esperança de a encontrar.
Convem accrescentar que, apesar da sua rapidez ser mais moderada por sobre o littoral da Africa, como o documento não era ainda conhecido, não pensaram em procurar a aeronave nas alturas do céo argelino. Evidentemente, foi vista por cima de Tombuctú; mas o observatorio d’aquella cidade celebre,—se é que ha lá um,—não tinha ainda tempo de enviar para a Europa o resultado das suas observações.