D’ahi a impossibilidade de se entenderem, a impossibilidade de pôrem o helice no seu logar. Isso podia durar muito tempo, se o governo não entreviesse. Mas nos Estados Unidos, como se sabe, o governo não gosta de se entremetter nas questões particulares, nem no que lhe não diz respeito, e n’isso tem toda a razão.
Estavam as cousas n’esse ponto, e aquella sessão de 13 de junho ameaçava não acabar ou antes acabar no meio do mais espantoso tumulto; tanto as injurias respondiam a injurias, os sôccos ás injurias, as bengaladas aos sôccos, os tiros de revolver ás bengaladas, quando ás oito e trinta e sete se produziu uma diversão.
O porteiro do Weldon-Institute, frio e tranquillo como um policia no meio das tempestades de um meeting, approximára-se da mesa da presidencia, e entregára-lhe uma carta. Esperava pelas ordens que a Uncle Prudent lhe conviesse dar.
Uncle Prudent fez resoar a trombeta de vapor, que lhe servia de campainha presidencial, porque nem o sino de Kremlin lhe bastaria. Mas o tumulto não diminuiu por isso. Então o presidente descobriu-se, e um meio silencio se obteve, graças áquella medida extrema.
—Uma communicação! disse Uncle Prudent, depois de tomar uma enorme pitada, da caixa de rapé que nunca o largava.
—Fale! fale! responderam noventa e nove vozes, por um acaso uniformes n’este ponto.
—Meus caros collegas, um extrangeiro pede para ser recebido na sala das nossas sessões.
—Nunca! responderam todas as vozes.
—Deseja provar-nos, ao que parece, respondeu Uncle Prudent, que acreditar na direcção dos balões é acreditar na mais absurda das utopias.