—Que voaram e continuaram a voar, respondeu Robur, sem se desconcertar. E quer lhes chamem streophoros, helicopteros, orthoptheros; quer, á imitação do que fizeram com respeito á palavra navis, tirando d’ella a palavra nave ou navio, queiram deduzir o seu nome de avis, o caso é que se chega ao apparelho cuja invenção deve tornar o homem senhor do espaço.
—Oh! o helice! observou Phil Evans. Mas a ave não tem helice ... que nos conste!
—Tem! respondeu Robur. Como o demonstrou o sr. Penaud, de facto a ave torna-se helice, e o seu vôo é helicoptero. De modo que o motor do futuro é o helice ...
“D’un pareil maléfice,
Saint Hélice, preservez-nous„!...
cantarolou um dos assistentes que, por acaso, tinha de cór este estribilho do Zampa de Herold.
E todos se puzeram a cantal-o n’umas taes intonações, que deviam ter feito estremecer o compositor no seu tumulo.
Depois, quando as ultimas notas se perderam n’um espantoso charivari, Uncle Prudent, aproveitando de um momento de socego, entendeu dever dizer:
—Cidadão extrangeiro, até aqui temol-o deixado falar sem o interromper ...
Ao que parece, para o presidente do Weldon-Institute, aquelles gritos, aquellas réplicas, aquelles desconchavos, não eram mais do que simples troca de argumentos.