—Comtudo, continuou elle, lembrar-lhe-hei que a theoria da aviação está de antemão condemnada e rejeitada pela maior parte dos engenheiros americanos e extrangeiros. Um invento que tem no seu passivo a morte de Sarrassin Volant, em Constantinopla, a do monge Voador em Lisboa, a de Letur em 1852, a de Groof, em 1864, sem contar com as victimas de que me não lembro, quando mais não fôsse que o mythologico Icaro ...
—Esse systema, respondeu Robur, não é mais condemnavel do que esse cujo martyrologio contém os nomes de Pilatre de Rozier, em Calais, de madame Blancard, em Paris, de Donaldson e Grimwood, que cahiram no lago Michigan, de Sivel e de Crocé-Spinelli, d’Eloy e de tantos outros que se não podem esquecer.
Era uma resposta “du tac au tac„, como se diz em esgrima.
—Além de que, continuou Robur, com os vossos balões, por mais aperfeiçoados que sejam, não podeis obter uma velocidade verdadeiramente prática. Levareis dez annos a dar a volta ao mundo, quando uma machina volante o poderá fazer em oito dias!
Novos gritos de protesto e de negação, que duraram tres grandes minutos, até ao momento em que Phil Evans poude tomar a palavra.
—Meu caro sr. aviador, disse este, o senhor que acaba de nos encarecer os beneficios da aviação, já porventura “aviou„ alguma vez?
—Sim, senhor!
—Já fez a conquista do ar?
—Talvez!
—Hurrah pelo Robur, o Conquistador! exclamou uma voz ironica.