—Vamos então experimentar, master Robur? perguntou o contramestre Turner.

—Sim, Tom! respondeu o engenheiro.

Nos compartimentos da machina, o machinista e os seus dois ajudantes estavam a postos, promptos a executar as manobras que seriam ordenadas por meio de gestos. O Albatrós não tardou em se abaixar até o mar, e parou uns cincoenta pés acima d’elle.

Não estava ao largo nenhum navio,—o que foi verificado pelos dois collegas, nem á vista nenhuma terra que elles pudessem alcançar a nado, admittindo mesmo que Robur nada fizesse para os colher de novo.

Muitos jactos de vapor e de agua, lançados pelos ventiladores, annunciaram a presença das baleias que vinham respirar á superficie do mar.

Tom Turner, auxiliado por um dos seus camaradas, collocára-se na frente. Ao alcance d’elle estava um d’esses dardos-bombas, de fabrico californiano, que se lança por meio de um arcabuz. É uma especie de cylindro de metal que termina em bomba cylindrica, armada de uma haste de ponta farpada.

Do banco da frente, ao qual acabava de subir, Robur indicava com a mão direita aos machinistas, e com a esquerda ao homem do leme, as manobras a fazer. Era assim senhor da aeronave, em todas as direcções, horisontal e vertical. Não se pode calcular a rapidez e a precisão com que o apparelho obedecia a todas as ordens. Parecia um ser organico, de que Robur era a alma.

—Baleia!... Baleia!... exclamou de novo Tom Turner.

Com effeito, umas quatrocentas e oito braças deante do Albatrós emergia o dorso de um cetaceo.