O Albatrós correu para elle, e quando chegou a uns sessenta pés de distancia parou.
Tom Turner tinha apontado a espingarda que estivera encostada ao parapeito. O tiro partiu, e o projectil, levando comsigo uma longa corda, cuja extremidade se prendia á plataforma, entrou no corpo da baleia. A bomba cheia de uma materia fulminante, explosiu então, e, explosindo, lançou uma especie de pequeno arpão de duas voltas, que se incrustou nas carnes do animal.
—Attenção! gritou Turner.
Uncle Prudent e Phil Evans, por pouco dispostos que estivessem, achavam-se interessados no espectaculo.
A baleia, gravemente ferida, fustigára o mar com uma tão violenta rabanada, que a agua repuxou até á altura da aeronave.
Depois o animal mergulhou a uma grande profundidade, ao passo que lhe iam largando corda, préviamente enrolada dentro de uma celha com agua, para que se não incendiasse com a fricção. Quando a baleia voltou á tona d’agua, desatou a fugir a toda a pressa na direcção do norte.
Imagine-se a rapidez com que o Albatrós foi rebocado! Além de que, os propulsores tinham sido parados. Deixaram o animal andar, pondo-se em alinhamento com elle. Tom Turner estava prestes a cortar a corda, para o caso de um novo mergulho tornar muito perigoso esse reboque.
Durante meia hora, e talvez á distancia de seis milhas, o Albatrós foi assim arrastado; mas via-se que o cetaceo começava a enfraquecer.
Então, a um gesto de Robur, os ajudantes dos machinistas andaram com a machina atraz, e os propulsores começaram a oppôr uma certa resistencia á baleia, que, a pouco e pouco, se approximou de bordo.
A aeronave batia ainda nas aguas com uma violencia incrivel. Ás voltas sobre si propria, a baleia produzia remoinhos enormes.