Aquella cidade era o porto de Ashurada, a estação russa mais avançada do sul. Aquella extensão de agua era um mar, o mar Caspio.

Já se não viam turbilhões de poeira. Era a vista de um conjunto de casas á européa, dispostas ao longo de um promontorio, com um campanario a dominal-as.

O Albatrós desceu sobre aquelle mar, cujas aguas estão tresentos pés abaixo do nivel do oceano. Junto á tarde, ía ao longo da costa,—outr’ora turkestana, hoje russa,—que sobe até o golpho de Balkan, e no dia seguinte, 3 de julho, pairava cem metros acima do mar Caspio.

Nenhuma terra á vista, nem do lado da Asia, nem do lado da Europa. Á superficie do mar, algumas vélas brancas, enfunadas pela brisa. Eram os navios indigenas, que se reconheciam pela sua forma, kesebeys de dois mastros, kayuks, antigos barcos piratas de um mastro, teimils, simples botes de serviço ou de pesca. Aqui e acolá subiam até o Albatrós algumas nuvens de fumo, lançadas pelos canos dos vapores de Ashurada, que a Russia mantém para fazer a policia das aguas turcumanas.

N’aquella manhã, o contramestre Tom Turner conversava com o mestre cozinheiro, François Tapage, e a uma pergunta d’este, respondera:

—Sim, estaremos cêrca de quarenta e oito horas por cima do mar Caspio.

—Bem! respondeu o mestre cozinheiro. Isso permittir-nos-ha decerto pescar.

—Perfeitamente!

Se se gastariam quarenta e oito horas em percorrer as cento e vinte e cinco milhas que aquelle mar mede de comprimento, sobre duzentas de largo, é porque a velocidade do Albatrós seria muito moderada, e mesmo nulla durante as operações de pesca.