Depois foi o golpho de Finlandia, o archipelago de Abo, o Baltico, a Suecia, na latitude de Stockolmo, a Noruega na latitude de Christiania. Dez horas apenas para aquelles dois mil kilometros. Como se pode imaginar, nenhum poder conseguiria então travar a velocidade do Albatrós, como se a resultante da sua fôrça de projecção e de attracção terrestre o tivesse mantido n’uma trajectoria immutavel em volta do globo.
E comtudo parou, e precisamente por cima da famosa cascata de Rjukanfos, na Noruega. O Gusta, cujo cume domina aquella admiravel região do Telemarck, foi como que um limite gigantesco que elle não devia ultrapassar no oéste.
De modo que a partir d’aquelle ponto, o Albatrós voltou francamente para o sul, sem moderar a sua velocidade.
E durante aquelle vôo inverosimil o que fazia Fricollin? Permanecia mudo no fundo do beliche, dormindo o melhor que podia, excepto nas horas da refeição.
Francisco Tapage fazia-lhe então companhia e gosava com os seus terrores.
—Então! meu rapaz, disse elle, já não gritas?... Não te prendas!... É questão de duas horas de suspensão!... Hein! com a velocidade que levamos agora, que excellente banho de ar para o rheumatismo!
—Parece-me que tudo se desmancha! repetia Fricollin.
—Talvez, meu valente Fry! talvez! Mas vamos tão rapidamente que nem poderiamos cahir! É o que vale!
—Acha isso?