—Então, senhor Theodoro, é verdade que o Joaquim é seu interessado?

—É...

—Inda bem. Você não parecia portuguez, homem; você parecia inglez!

—Porque?

—Por não querer socios. Um casão d'estes póde enriquecer muita gente. Olhe que é um erro isto de querer tudo para si.

Sim, pensou Francisco Theodoro, a vida é curta, e uma fonte cavada com tanto esforço é justo que dê agua com abundancia para muitas sêdes...

Já o Isidoro recolhia as chicaras quando entrou o João Ramos, a bufar de calor. Pediu noticias da saude de todos e mesmo antes de ouvir as respostas vasou quanto sabia acerca dos negocios. Vinha da casa do Lessa, que auferira lucros extraordinarios de uma especulação de café. Elle tambem se mettera em grandes emprezas; sacou papelada que lhe enchia os bolsos e representava muitos contos de réis.

Innocencio Braga citava nomes de pobretões tornados em millionarios, com a alta, quando João Ramos o interrompeu, consultando os amigos se deveria acceitar a presidencia de um banco. Elle hesitava...

Innocencio aconselhou-o a que accedesse. O cargo era de prestigio. Depois, o tempo effervescente do jogo tinha passado. As transacções agora faziam-se com mais segurança. Tambem elle tinha em formação um grande projecto...

Theodoro suffocava; não ouvia fallar noutra coisa. O seu visinho da esquerda e o seu visinho da direita passavam, quantidades fabulosas de libras para a Europa, ganhas no azar do momento. E elle?