—Nos bairros pobres a vida começa de madrugada. Por fallar em esmolas, hontem estive em casa das Bragas, da rua dos Ourives. Conhece-as?

—Não, senhora.

—É pena; são umas almas muito tementes a Deus. Achei-as atrapalhadissimas, preparando doces para offerecerem ao vigario Alves, que faz annos hoje. Não imagina como ellas são...

—Desculpe, tia Joanna, interrompeu Nina; e voltando-se para dentro:

—Ó Dionysio, leve o café ao Sr. Mario, ouviu?

—Ainda estão dormindo?!

—Tio Francisco já sahiu.

—Triste peccado é a preguiça ... emfim, cá estou eu rezando por todos... Pois as Bragas entregaram-me dez cartões para um grande concerto que vae haver no Cassino, em beneficio da egreja do Monte Serrate... Para o fim que é, ninguem se póde negar; Camilla deve levar a Ruth a essas festas de musicos... Eu pago a minha cadeira, mas lá não vou, e as outras nove espero deixal-as aqui. Vocês vão a tantos espectaculos indecentes, que não fazem nada de mais indo a este, que é para bom fim. Canta uma tal ... Marcondes, ou ... não sei quê...

—A senhora falle com tia Milla. Seu João! chamou ella interrompendo outra vez a conversa, voltada para o jardineiro que passava: olhe! é preciso fazer um ramo novo para a sala de jantar; como não ha rosas, faça de folhagens... Já reparou para as palmeirinhas da entrada?

—A chuva escangalhou-as; desfolhou as flores, e abriu covas nos canteiros, que Deus nos acuda!