Negreiros sorria com a serenidade de um confiante. Elle fôra sempre um republicano e um extremado e era por isso olhado por alguns dos seus compatriotas com extranheza e susto. Como João Ferreira no maior ardor de seu discurso esbarrasse com a expressão alegre do rosto de Negreiros, e lhe comprehendesse o contentamento de o ter de seu lado, tergiversou e, com maldade alegre, achou logo tambem motivos de aspera censura ao mesmo governo que tinha gabado havia pouco. Não, que elle já estava maduro para dar o seu braço a torcer!
Os outros triumpharam, era assim que o queriam; e chegou a vez de Negreiros entrar na discussão.
Foi nesse instante, no meio da balburdia de vozes, que o capitão Rino appareceu no limiar da porta, com o chapéu na mão, e uma expressão interrogativa no rosto.
A chegada subita d'aquelle extranho, para quem Francisco Theodoro fez logo um logar ao pé da sua secretária, abaixou o calor da conversa.
Dividiram-se os grupos; houve risos baixos, pancadinhas nos hombros, de reconciliação e amisade. Só os olhinhos do Innocencio Braga ardiam na mesma febre, e os seus dedos magros torciam com maior nervosismo as pontas do bigode delgado.
—Que novidade é esta, o senhor por aqui?!
—Não lhe roubarei o tempo; é por curtos instantes.
—Ora essa! tenho muito prazer com a sua visita ... dê-me licença de o apresentar aos meus amigos.
Feitas as apresentações, o Isidoro entrou com o café em uma grande bandeija e houve uns segundos de silencio. Depois, Francisco Theodoro perguntou baixo ao capitão se lhe quereria fallar reservadamente.
—Não, senhor; venho apenas despedir-me e rogar-lhe que apresente os meus cumprimentos á sua familia. Parto para o Pará.