Deixo-lhe aqui a minha papelada: consulte-a. Aqui estão coisas melhores e mais convincentes do que palavras:—cifras.
Francisco Theodoro, acavallou no nariz a sua luneta de vista cançada e seguiu com o olhar os caracteres cerrados que os dedos do outro apontavam e percorriam rapidamente.
Como o rumor da enchente que se approxima e vem até a inundação, assim aquelle amontoado de parcellas ia crescendo e ameaçando de desabar em blocos de ouro.
Quando via uma abertazinha, Francisco Theodoro aproveitava-a para uma objecção, que Innocencio repellia sem esforço, com mostras de quem já vinha prevenido para tudo.
Á meia-noite ergueu-se, dizendo:
—Amanhã é domingo; o senhor fique com estes papeis e leia-os outra vez, com o seu socego. Segunda-feira eu irei procural-os no armazem, das duas para as tres horas. Estude e resolva. Boa noite.
Francisco Theodoro acompanhou a visita até o portão do jardim. Em cima, a casa estava toda fechada; a familia dormia. O jardineiro, na soleira, esperava que a visita sahisse para soltar os cães.
—Que linda noite, Sr. Theodoro, e como o seu jardim cheira bem!
—Sim. Camilla gosta muito de flores. Deve ser das violetas.
—É dos jasmins do Cabo, asseverou o jardineiro.