D. Emilia asseverava que a sua Milla, como a chamavam em casa, esquecia-se das suas prendas, obrigada pela necessidade a fazer serviços domesticos.
Francisco Theodoro commoveu-se com a idéa de que aquella mulher, talhada para rainha, passasse os dias a picar os dedos na agulha ou a callejar as mãos com o uso da vassoura ou do ferro.
Trabalhar! trabalhar é bom para os homens, de pelle endurecida e alma feita de coragem. Olhou para a moça com veneração.
Era bonita, alta, com grandes olhos avelludados, cabello ondeado preto e uns dentes perfeitos, muito brancos, mas que ella mostrava pouco, sorrindo apenas. Da irmã Sophia, na sombra, mal se adivinhavam as feições.
A uma das phrases, em que a abundancia do amor materno lhe debuxava as perfeições, Camilla sahiu de ao pé da luz e foi para a janella olhar para o escuro.
Como correu depressa aquella noite!
Francisco Theodoro sahiu tonto. O amigo ria-se: não lhe tinha dito? Gabava-se de ser casamenteiro, levaria em breve tudo ao fim.
E dias depois o Mattos pedia a mão de Camilla para o amigo.
Começou então a serie de presentes e de visitas. Milla tinha sempre o mesmo embaraço e a mesma brandura de sorriso.
O que ella ouvia da familia, não o podia adivinhar Francisco Theodoro, que a sentia umas vezes reservada, outras vezes confiante.