—Olha, Ruth; aquellas, sim, é que são infelizes: andam ao sol e á chuva, e se não levam dinheiro para casa, ainda apanham por cima.
—Não as compare á outra, tia Joanna. Eu preferiria andar sempre ao ar livre, apanhando soes e chuvas, tocando no meu violino, dormindo em qualquer soleira de pedra, do que viver no borralho como a Sancha. Ao menos estes teem a musica.
D. Joanna riu-se.
—É verdade; quando você toca esquece tudo.
Chegaram á egreja; a missa tinha começado. Ruth deixou-se ficar sentada no banco, sem attender aos puxões que a velha lhe dava, para que se ajoelhasse. Para que, se tinha exgottado o ardor da sua alma na primeira missa do convento? Sentia-se agora cançada, apertavam-lhe as saudades da mãe e da alegria da sua casa. Como lhe pareceu interminavel aquella missa, que a velha ouvia toda de joelhos, num extase!
Findo o sacrificio, D. Joanna quiz levar esmolas a todas as caixas da egreja.
Ruth apressava-a, morta por se ver na rua, mas a tia nem parecia ouvil-a. No adro lembrou ainda:
—Já que estamos cá embaixo, vamos a Santa Rita saber noticias do padre Euclydes, que está doente.
Ruth objectou:
—Mas titia, eu estou com fome...