—Não seja má, Deolinda.
—E o seu ordenado? Olhe: nós não fazemos negocio nenhum... Minha creança está para nascer e eu não tenho nem uma camizinha arranjada. Mal dá p'ra comer, sabe Deus como!
—Não seja sovina; depois eu pago.
—Ubaldino ahi vem ... vá-se embora.
—Ora...
E com arremesso o Ribas seguiu pela calçada até ás Docas; á porta encheu-se de batata roxa, cozida, que a Bertholina bahiana vendia, tagarellando com uns marinheiros do Lloyd. Depois das batatas o Ribas ainda teve uns tostões para tangerinas. Só bem repleto foi que bateu as solas rotas pelas calçadas, a caminho da rua de S. Bento.
Ahi chegado, quiz desafiar a paciencia de seu Joaquim, postando-se como um basbaque á porta do armazem, vendo os trabalhadores na sua faina entrarem e sahirem sem interrupção.
Em cima, no escriptorio, Francisco Theodoro, amollecido pela sua noitada de festa, narrava lealmente ao Meirelles, pae da Paquita, a inaptidão do filho para o trabalho.
O Meirelles sorria; que descançasse, elle encaminharia tudo,—e accrescentava:
—Paquita, com aquelle ar de songa-monga, é de uma energia de homem. Não é de brinquedos. Tem um juizo notavel. Eu agora levo-os para a Europa, faço o Mario observar o movimento das principaes praças e na volta você verá, Theodoro, como o seu filho ha de trabalhar! Será então tempo de você ceder-lhe o campo...