—E eu estou morto por isso...

—Então? Urge andar depressa, que eu não quero perder a viagem do Equateur.

Francisco Theodoro começava a comprehender que a Paquita, se era assim, seria a unica mulher capaz de modificar o caracter do filho. Mario seria um instrumento nas suas mãos energicas. Não a suppozera nem a cria ainda tal, tão fragil, tão esbranquiçada e inexpressiva a vira sempre na moldura dos seus cabellos louros.

Estava bem; Mario precisava de uma vontade firme, que o dominasse e dirigisse; nem com uma lanterna accesa encontraria coisa tão boa.

Paquita seria a salvação do seu filho, a garantia da sua casa commercial, que já não acabaria com elle.

Pensando assim, uma ternura desabrochava na sua alma para aquelle filho perdido, que tamanhas desillusões lhe semeara na vida. Começava a sentir que lhe não perdera o amor.

Elle continuaria aquella casa, com tanto trabalho nascida, que teria com elle a mesma firma, a mesma tradição... Seria sempre a Casa Theodoro, feita pela sua ambição, perpetuada na sua descendencia...

[XVII]

Nina tinha voltado do casamento de Mario e despia-se devagar no seu quarto, com os olhos fixos na luz branca do espelho.

Era o fim, e nem por estar tudo consummado se resignava. Para bem d'ella, os noivos iam nesse mesmo dia para Petropolis, e de lá só voltariam para bordo de um transatlantico. Como seria doce á Paquita cruzar os mares nos braços do seu amor...