—Quando elle voltar, hei de pedir-lhe que nos arranje outro passeio pela bahia.
—Por uma noite de luar ... disse Camilla. Ruth accrescentou, para bulir com a Noca, que se agarrava ás bordas da lancha:
—Ou mesmo por uma noite de tempestade, com muitos relampagos e trovões. Ainda ha de ser mais bonito.
—Uê, que maluquice! exclamou Noca; Nossa Senhora da Penha! eu com este sol todo estou com medo, quanto mais...
—É pena que Nina não tivesse vindo...
—Para quê? para vêr a outra?
Francisco Theodoro não ouvia nada; percorria com a vista anciosa todos os telegrammas dos jornaes. Nada; não vinha nada; e com isso elle não sabia se havia de achar motivo de allivio ou de maiores apprehensões.
Quando subiram ao tombadilho, já lá encontraram o Meirelles, mais o Mario e a Paquita. Ella, sempre com o seu arzinho enjoado, contando as palavras que dizia, tractando a familia do marido com cerimonias afastadoras. Mario ia e vinha, solicito, obedecendo com sorrisos ás ordens que ella lhe dava em phrases curtas:
—Que fosse ao camarote guardar-lhe a bolsa das joias... Que lhe fosse buscar a capa... Que verificasse quaes as malas que iam para o porão e que mandasse a vermelha para o beliche.
Mal elle se lhe approximava, logo ella o incumbia de qualquer coisa que o afastava:—Que contasse os volumes... Que entregasse a cesta das fructas ao maître d'hotel, recommendando-lhe que as mettesse na geleira... Que puzesse os seus cartões de visita nas costas das cadeiras, para evitar confusões... Mario girava sobre as solas de borracha dos sapatos claros e lá ia lépido cumprir as ordens. Camilla pasmava. Quem lhe diria que aquelle era o mesmo Mario indomavel, secco, tão imprestavel sempre aos favores pedidos pela mãe e as irmãs? Vendo aquillo, subia-lhe do coração aos olhos uma tristeza ciumenta, magua de alma ferida a que nenhuma razão abafa a queixa.