Paquita percebeu tudo e redobrou de frieza, mal respondendo ás perguntas da sogra.

Entretanto, Theodoro e o Meirelles passeavam a largas passadas da proa á ré.

O velho Meirelles era de opinião que o telegramma do Jornal inserido na vespera era coisa séria, de alarme. Francisco Theodoro engoliu em secco; não teve coragem para lhe dizer que grande parte do seu capital fôra atirado á voragem de uma especulação. Relatou, porém, as palavras do Braga e as suas affirmações.

—Não me falle nesse homem, interrompeu o outro com violencia; é um especulador sem escrupulos ... quer mais claro?—é um ladrão!

Veio de Portugal, ha coisa de seis annos, sem vintem, e sabe quanto já passou para Inglaterra em bom metal? mais de mil contos!

Vi a prova. O patife!

Aquillo é lá da minha freguezia ... conheci-lhe o pae, era outro marreco que tal! Homem—não se deixe levar pelas cantigas novas, nós antigos, verdadeiros pés de chumbo, caminhamos devagar e escolhendo terreno. Essas basofias e esses atrevimentos são bons para quem não tem nada a perder... Olhe, lá toca á retirada; avise sua senhora, para descerem sem precipitação...

Ao abraçarem Mario, Francisco Theodoro, com a voz estrangulada, recommendou-lhe:

—Juizo, meu rapaz!

Camilla, branca como marmore, apertou o filho com força ao coração; depois, sentindo-o frio no seu abraço, beijou-o no pescoço e na face e fixou nelle em uma queixa muda os seus grandes olhos maguados. Foi só na lancha, escondendo-se dos olhares da Paquita, que ella desatou em soluços que ninguem tentou reprimir.