Negreiros enguliu uma palavra qualquer, afagou o nariz e depois, corando um pouco, approximou-se mais de Theodoro e murmurou:
—Se precisar de mim ... os amigos são para as occasiões...
Francisco Theodoro estremeceu e apertou-lhe a mão com força; houve nos olhos de ambos como que o brilho passageiro e eloquente de uma lagrima. Vinha um bond; o negociante tornou a sacudir em silencio a mão de Negreiros e partiu.
No largo da Carioca, ao esperar outro bond que o levasse á casa, Francisco Theodoro topou com a baroneza da Lage, farfalhante nas suas sedas e vidrilhos; quiz evital-a, não pôde; a moça extendia-lhe a mão enluvada, sorrindo-lhe através do véosinho.
—Sabe? Papae escreveu-me. Paquita parece outra, tem engordado muito. Mario está deslumbrado; comprou bellos cavallos de raça em Londres; se não fosse a mulher, diz papae que elle poria em poucos dias todo o dinheiro fóra...
—Ah...
—Eu tenciono tambem partir em breve; vou ter com elles a Paris... Irei abraçar a nossa Camilla qualquer dia d'estes. Mario escreveu-lhes?
—Não...
—É noivo ... tem desculpa ... lá está o seu bond.
—E a senhora?