—Eu estarei a seu lado.

Nina corou, e não respondeu.

Dias depois Noca foi ao quarto da ama avisal-a de que iriam almoçar já na outra casa.

Milla apertou as palpebras.

—A senhora torna a adormecer! Eu vou abrir a janella ... abro?

Camilla não respondeu; sentiu o corpo pesar-lhe na cama e espalmou as mãos no seu largo colchão de clina. Como era bom!

O ocio tinha-lhe infiltrado no sangue a voluptuosidade, que embellezava a sua carne de pecego maduro, colhido ao sol de outomno. O seu corpo redondo e roseo tinha o aroma expansivo da flor aberta, e a maciez da fructa polpuda e delicada que não pode soffrer nem grandes baques, nem grandes ventanias.

Noca insistiu:

—Abro a janella?

Camilla calou-se ainda, procurando gosar mais um minuto o conforto do seu quarto cheiroso. Tinha creado fundas raizes no luxo, não se podia desprender por si, seria preciso que a arrancassem.