Um minuto depois accommodavam-se no carro. Noca fechava o portão do jardim, entregava as chaves ao criado do Dr. Gervasio, que esperava alli, na rua, para ir leval-as ao patrão. Subiu por ultimo para a caleça. Ao primeiro arranco do carro, de todos os peitos sahiu um suspiro e todos os olhares se voltaram para a casa.
Ruth chorou; parecia-lhe que deixava alli o pae, o seu querido papae... Só Lia e Rachel gorgearam uma risadinha.—Emfim, iam para a casa nova!
Durante a viagem ninguem mais fallou.
Para que? Diriam todas a mesma coisa. Abafavam gemidos, disfarçavam lagrimas, e iam assim, de negro, começar vida nova.
Eram dez horas quando o carro parou em frente á casa de Nina.
Na visinhança, tocavam exercicios num piano desafinado. O sol irradiava com força no cascalho branco do chão.
A casa era pequena, em um trecho socegado da rua de D. Luiza, disfarçada por um jardinzinho mal cultivado. Dentro sentiram-se todos oppressos; habituados á largueza de um palacio, parecia-lhes que aquelles tectos e que aquellas paredes se apertariam de repente, esmagando-os a todos.
O melhor quarto fôra arranjado para Milla e as gemeas; Ruth e Nina dormiriam na mesma alcova, Noca num quarto ao fundo.
A sala de jantar, forrada de novo com ventarolas e japonezes no papel, abria para uma nesga de quintal por um patamarzinho de ladrilho que a desafogava. Tinham-n'a alegrado com um par de cortinas de cretone claro e uns vasos de flores na janella.
Nina explicava á tia como determinara as coisas, sujeitando-se a mudal-as, se lhe não agradasse a posição d'ellas.