Fôra Gervasio que lhe ensinara a enternecer-se, a reprimir as suas coleras, a perdoar as fraquezas dos outros, a embellezar a sua casa, a sua pessoa, a sua vida, a querer bem a todos, com intelligencia e com consciencia. Antes não o houvera conhecido; ella talvez não tivesse sido boa para ninguem, mas teria sido honesta e não conheceria o soffrimento.

Com os olhos parados nas figuras polychromas do jarrão, Camilla relembrava todo o martyrio do seu amor, nascido pouco a pouco da intimidade...

O tal individuo demorava-se no escriptorio. Ella levantou-se, foi á janella olhar para o jardim. As plantas eram finas; como no interior da casa, havia tambem alli uma tranquillidade distincta. Sentia-se que os gostos e os instinctos do dono sabiam subordinar-se a uma vontade forte.

Camilla olhava abstractamente para as flores, quando ouviu passos no corredor. Voltou-se; Gervasio appareceu no limiar da porta.

—Que é isso, Milla?!

—Nada ... eu...

—Por que vieste?!

Camilla avançou timidamente. Elle continuou:

Por que não me mandaste chamar logo que entraste? Estás tão pallida!... tão fria... Foi uma imprudencia vir aqui, a esta hora!... Mas por que?!

—Lá eu não poderia fallar...