—Quero pedir um favor, disse a negrinha, meio engasgada, tirando do seio uma nota de quinhentos réis amarrotada e immunda.

—Que favor, gente?

—Quando voltar cá, traga isto de arsenico, disse ella apontando o dinheiro que offerecia á mulata.

—Arsenico ... p'ra que?! você tá doida?!...

—P'ra nada! faça esta esmola...

E como Noca não extendesse a mão, a negrinha atafulhou-lhe o dinheiro, rapidamente, pela golla aberta do vestido, e voltou como uma setta para casa.

As cabritas andavam soltas, pastando nas hervas altas; o sol, muito quente, alvejava roupas extendidas nas ruas, e na torre repintada dos Capuchinhos o sino badalava, convidando á oração.

Noca apressava-se, arrastando as duas meninas. Logo que chegaram a baixo, ao largo da Mãe do Bispo, viram Mario passar no seu phaeton, que elle mesmo guiava numa posição correcta. O lacaio, sem descruzar os braços, sorriu para as creanças; o moço passou sem reparar nas irmãs, que ficaram com ar despeitado, agarradas á saia da ama.

O carro de Mario rodava já pela Guarda Velha, e Noca pensou:

—Elle vae alli, vae direitinho p'ra casa da tal Luiza, o diabo da mulher que lhe come os olhos da cara. Uhm! eu gostava de ver só!