Pontas finas de mastros riscavam de escuro o espaço limpido. Em terra vinham marinheiros aos grupos, baloiçando-se nos rins. Portuguezes levavam cargas, em carrinhos de mão, para um trapiche.

Foi logo adeante que um grupo de moleques irrompeu furioso, cercando o Ribas, exigindo-lhe os dez tostões do jogo da vespera. Eram quatro: um caboclinho de olhos negros e vivos, um negrinho retinto, um menino loiro, que os outros denominavam o Bota—por trazer uma bota velha suspensa de um barbante a tiracollo—, e um italianinho sardento, sem pestanas.

—Venham os dez tostões! venham os dez tostões que você ficou devendo hontem no jogo ... reclamavam.

E o Ribas defendia-se, hypocritamente:

—Que jogo? Eu?!

—Sim, senhor, não se faça de engraçado!

O menino loiro exigiu a entrada do dinheiro para a bota: elle era o caixa; os companheiros romperam em assobios e chufas.

Dr. Gervasio apressou o passo, deixando o Ribas numa roda-viva de provocações.

Que se arranjasse.

A curiosidade instigava-o a andar para deante; por bom humor talvez, sabia-lhe bem aquella caminhada. Tinha um olhar curioso para cada fachada arruinada, e parou com um sorriso, vendo em uma janella de vidros quebrados um vaso de cravos brancos.