—Felizardo! aproveite a epocha, que não póde ser melhor!
Corria então o anno de 1891 em que o preço do café assumira proporções extraordinarias. O movimento crescia e casas pequenas galgavam aos saltos grandes posições.
—O que eu te invejo, disse o Ramos, unico que ousava tratar Theodoro por tu, não é a fortuna, é a mulata que te engomma as camisas!
Os outros olharam rindo para o alvo e lustroso peitilho do dono da casa, que saboreava o café, com ar satisfeito, de pé, com o pires muito afastado do corpo, seguro na ponta dos dedos.
—Não é má essa, regougou o Lemos, o commendador Lemos, da Beneficencia, franzindo o narizinho, submerso entre duas bochechas, que nem de creança.
Depois de um riso fraco e desafinado, ouviu-se a vozinha aflautada do Innocencio, perguntando a Theodoro:
—Aqui o seu visinho Gama Torres é que fez um casão de um dia para o outro, hein?
—Homem, sempre é verdade aquillo?!
—Se é!... tenho provas... Afinal, eu inspirei-o um pouco no negocio...
Fixaram todos a vista no Innocencio Braga. Era um homem pequenino, magro, com uns olhinhos negros, febris e um fino bigode castanho, quasi imperceptivel.