—Mario!
—Em seu nome, não! Quem me lançou neste caminho e me fez ter os gostos que eu tenho?
—O excesso do meu amor por ti está bem castigado!... Mas não é isso agora que desespera teu pae...
—Meu pae é cego para as culpas dos outros; por que não será tambem cego para as do filho? A pessoa que tanto o indigna é menos nociva á familia que...
—Basta!
—Não basta; a senhora assim o quiz; conhece o meu genio, podia ter evitado esta explicação. Talvez seja melhor assim: afinal eu precisava dizer-lhe alguma coisa, eu tambem. É isto:—odeio o Dr. Gervasio, e dou-lhe a escolher entre mim e elle.
Camilla fixou no filho olhos de espanto. Houve um largo silencio. Depois elle repetiu, martellando as palavras:
—Ou elle ou eu.
A mãe, com uma lividez de morta, não voltava da sua estupefacção. Todo o corpo lhe tremia, e lagrimas vieram pouco a pouco borbulhando, grossas e pesadas, nos seus olhos extaticos. Tentou defender-se, chamar de calumnia áquella idéa; mas as palavras morreram-lhe na garganta, e ella encolheu-se na poltrona, cingindo os braços ao busto, como se tentasse esmagar o coração offendido.
Mario caminhou nervosamente pelo quarto; depois, voltando-se para a mãe, ia fallar ainda, mas viu-a de aspecto tão miseravel, que uma subita misericordia se apoderou d'elle.