—Qual o que! nem a outra vê nada! Ella já em vida parece que não via grande coisa... Era tão vaga... tão vaporosa!
—Bonita?
—Hum... Delicada... Precisamos arrancal-a do coração de Argemiro.
—Deixe-a... Não devemos guerrear os mortos!
—Nem nos deixar vencer por elles. Endireita o teu chapeu... repara para o meu... está bem?
—Está bem...
O carro rodou ainda alguns minutos. Quando chegaram á estação, a Pedrosa recommendou ao cocheiro que as viesse esperar ás quatro horas, e subiram para o trem que estava a partir.
Sinhá, perturbada pelas theorias da mãe e procurando uma das extremidades do banco, voltou o rosto para fóra e fez toda a viagem olhando para o matto. A Pedrosa não interrompeu o silencio; tambem ella precisava recolher-se, arregimentar as idéas, preparar a sua scena...
Ás onze horas no jardim do hotel das Paineiras, não havia ninguem.
A sombra das arvores derramava-se silenciosa sobre mezinhas núas. Só numa estavam restos de apperitivo em dois copos. A Pedrosa calculou logo que aquelle vermouth tivesse sido ingerido pelo encarregado dos negocios da Inglaterra—e olhou com sympathia para os calices sujos...